Ansiedade: quando o corpo fala o que a alma não consegue dizer
- rayssakellymv
- 16 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
A ansiedade, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas um “nervosismo” exagerado ou “coisa da cabeça”. Ela é um fenômeno psíquico e corporal profundo, que pode se manifestar de diversas formas: aperto no peito, respiração curta, insônia, tensão muscular, pensamentos acelerados, dificuldade de concentração ou até a sensação de que algo muito ruim vai acontecer — mesmo quando não há um motivo aparente.

É como se o corpo estivesse tentando contar uma história que a mente ainda não conseguiu compreender.
Na clínica, a ansiedade aparece como um sintoma que carrega muito mais do que incômodo. Ela é, muitas vezes, o grito de algo que foi silenciado. Pode estar relacionada ao medo de falhar, ao excesso de exigência, à dificuldade de lidar com o imprevisível, à tentativa constante de controlar o incontrolável — ou ao esforço, quase desesperado, de não decepcionar ninguém, nem a si mesmo.
Muitas pessoas chegam à terapia dizendo “não sei o que está acontecendo comigo”, porque os sintomas físicos são tão fortes que parece que é o corpo que está doente. Mas a verdade é que a ansiedade, muitas vezes, surge como forma de defesa: ela aparece para proteger, para sinalizar que algo dentro de nós está em alerta, sobrecarregado, pedindo por atenção.
É importante lembrar que sentir ansiedade é humano. Todos nós, em algum momento, vamos nos sentir ansiosos diante de situações novas, incertas ou difíceis. O problema é quando esse estado se torna constante, quando passamos a viver no modo “sobrevivência”, sempre alertas, sempre preocupados, sempre esperando o pior. Isso cansa. Isso adoece.
Na terapia, o trabalho não é fazer a ansiedade sumir como num passe de mágica. É entender o que ela quer dizer. É escutar o que está por trás desse sintoma — qual parte da história da pessoa ficou presa, congelada ou esquecida, e agora está tentando emergir. O processo terapêutico ajuda a nomear medos, reconhecer angústias e reencontrar um ponto de apoio interno, mesmo quando a realidade externa parece caótica.
Muitas vezes, a ansiedade tem a ver com o excesso: de responsabilidades, de cobranças, de expectativas — suas e dos outros. Outras vezes, tem a ver com a falta: de tempo, de cuidado, de afeto, de sentido. O trabalho clínico permite que a pessoa olhe para isso com mais profundidade e vá, aos poucos, reconstruindo uma forma mais possível de existir no mundo e consigo mesma.
Porque a ansiedade não precisa ser enfrentada sozinha. E entender o que ela está tentando dizer pode ser o primeiro passo para que ela não precise mais gritar.


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